Nestes últimos dias, todo mundo já está farto de tudo o que aconteceu no Rio de Janeiro.
A cada página da web e a cada pessoa que eu escuto falar da tragédia, ouço xingamentos e ofensas à Wellington Menezes de Oliveira.
Muitos pensam que Wellington era drogado, que não queria nada com a vida, que nunca trabalhou, que era traficante, foragido, porém, ele não tinha nenhum antecedente criminal. Nunca arrumou briga. “Falava só o básico”, lembra um colega que trabalhou com ele no almoxarifado de uma indústria de alimentos, naquele bairro. Não jogava futebol e não tinha namorada. Não bebia e não fumava.
“De um ano para cá, ele começou a andar só de roupa preta”, lembra o ex-companheiro de trabalho. Estranho, para um lugar em que no verão as temperaturas passam dos 40 graus. “Todo mundo sem camisa na rua, jogando bola, e ele de calça preta, camisa preta, sapato preto”, conta.
O pouco que se sabia de Wellington na rua, que ele era religioso, e com tendências ao fanatismo.
Ela era testemunha de Jeová e evitava falar com quem não era de sua religião. “Passava de cabeça baixa, não dirigia a palavra”.
No tempo em que trabalhou no almoxarifado da fábrica, Wellington integrava o turno da noite: entrava às dez da noite e saía às seis da manhã do dia seguinte. “No ano em que trabalhei com ele, nunca vi faltar. E não era de chegar atrasado, implicar com ninguém”, conta o vizinho.
A mãe biológica de Wellington, segundo os moradores da Rua Jequitinhonha, transversal à rua da escola, tinha problemas mentais e dava sinais de esquizofrenia. Costumava ter surtos e desaparecia. Em algumas das vezes em que desapareceu, ela voltou grávida – e foram pelo menos cinco os filhos que teve nessa situação. Wellington seria o penúltimo deles e possivelmente também sofria de esquisofrenia, e, como os demais, foi criado por pessoas próximas da família.
Na escola ele era quieto e sofria muito bullying, devido à sua religião, porque usava roupas sociais. Alguns alunos chegavam a jogá-lo dentro da lixeira, o que aumentou mais a raiva e a sede de vingança de Wellington.
Ele tinha problemas mentais e, mesmo com ajuda, só conseguia atingir 39% de aprendizagem.
O que os professores, alunos e família fizeram para ajudá-lo?
Nada. Trataram-o como um qualquer.
Não justifica ele ter assassinado 12 crianças, porém, a escola é carrega parte da culpa, pois se teria dado mais atenção a ele, talvez o crime teria sido evitado.
Veja a carta completa que Wellington deixou no massacre:
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Wellington: Assassino nato ou pessoa incompreendida?
Escrito por colunista: Unknown









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